Razões de Amor----------[desconheço] Gosto desse teu ar tristonho, desse olhar de melancolia, mesmo nos momentos de prazer e de sonho, ou nos instantes de amor e de alegria...
Gosto dessa tua expressão de ternura tão suave e feminina, desse olhar de ventura com um brilho úmido a luzir num profundo langor... Desse teu olhar de meiguice que me cativa e domina, tu que dás sempre a impressão de quem precisa de proteção e amor...
Desse teu ar de menina, desse teu ar que te faz mais mulher ao meu olhar...
Gosto de tua voz, tranqüila, do tom manso com que falas, como se acariciasses até as palavras que dizes; de tua presença, que é assim como um quieto remanso, um pedaço de sombra onde me abrigo quando somos felizes...
Gosto desse teu jeito calmo, sossegado, com que te encostas em meu peito e te deixas ficar entre ternuras e embaraços, como se tudo ficasse, de repente, parado, e teu mundo pudesse ser delimitado pelos meus braços...
Gosto de ti assim, pequenina, macia, quando te aperto contra mim e te sinto minha (inteiramente nua) e tens um ar abandonado, como quem caminha sonâmbula, por um estranho caminho feito de céu e de lua...
Gosto de ti desesperadamente: dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto, dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso; dos teus seios de Ambrósia, brancos manjares trementes com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias;
de teu ventre – uma enseada – porto sem cais e sem mar – branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar; de teus quadris, instrumento de tantas curvas, convexo, de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo;
– do teu corpo só de alvuras – das infinitas ternuras de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos, mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem esses desejos da gente...
Gosto de ti desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela, dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela, (há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés) – gosto de ti, feiticeira, tal como tu és...
amor em gotas As gotas prateadas que do céu vertem, me chamam. Declina por minha face resvalando meu corpo e como um fluído invisível me penetra, lavando minha alma embriagada de sentimentos.
Uma ternura indefinível devolve-me o momento em que te vi. Através de teus olhos trouxeste-me um anjo, que me falou por tua voz. O céu fala pelo rumor da chuva. Compreendi, então, a sensação de voar. Momento eterno...
Minha alma extasiada pela melodia da chuva, alada, desatada do corpo que responde agora ao frescor das gotas, te encontra. Deleita-se com teus beijos, acalenta-se em teu abraço. O amor da alma prevalece sobre o desejo do corpo. E quem não o compreende o chama de ilusão...
Se deixasses nessa hora falar o meu olhar...se ouvisses o murmúrio do meu coração, entenderias a persistência de cada gota ao percorrer o extenso caminho, até que beije a grama. Não terias medo do universo em teu coração.
Quase nem palavras me restam, para mostrar o que há em mim. Com que versos descrever esse amor, que vem de uma linguagem tão distante daqui ?! Como ilustrar que quem te amou foi meu coração ?!
Como a chuva que nasce silenciosamente no ventre da nuvem, nasceste comigo. Eras um sonho, um segredo que hoje fez com que meu coração, recanto pequeno demais para abrigá-lo, compartilhasse com os céus.
Agora és o anúncio que meus olhos espalham...
O estalar dos pingos explodindo no chão mistura-se as batidas do meu coração, que solitário, toma todo o som como saudade. Não sei se o céu está chorando, ou se meu amor se purificando e libertando...